terça-feira, 17 de maio de 2016

Mesaque Dju (sub-17): "Jogamos por Portugal"

O internacional garante a total entrega dos jogadores portugueses no Euro 2016. Quer fazer história e deixar Portugal orgulhoso da prestação da Seleção Nacional sub-17 .
Futebol Sub-17
A vitória por 5-0 frente à Áustria e a passagem da Seleção Nacional sub-17 às meias-finais do Euro 2016 é o primeiro mote da conversa com Mesaque Dju, internacional por seis vezes na formação e um dos jogadores em grande destaque na partida deste sábado: "Era um jogo muito difícil mas com o nosso esforço e dedicação acabámos por torná-lo fácil. Não fizemos nada diferente do habitual. Tivemos a bola, jogámos com identidade e todos cumprimos as nossas funções em campo", começa por explicar o avançado.
Num contexto de enorme competitividade, Mesaque explica o segredo da vitória expressiva de ontem: "Fomos muito fortes ofensivamente e, por outro lado, fomos ambiciosos. Quando estava 3-0 podíamos ter abrandado o ritmo mas falámos entre nós e decidimos que era para continuar a procurar o golo e "empurrar" o adversário. Marcámos mais dois golos mas ainda não atingimos a meta final. Vamos entregar-nos totalmente a essa tarefa e, no final, faremos as contas", resume.
Já com dois golos na qualificação e mais um na Fase Final do Euro 2016, o dianteiro prefere destacar o coletivo: "O trajeto tem sido muito bom: marcámos 12 golos e não sofremos nenhum. Sem querer "puxar o saco", acho que tem muito a ver com a liderança. O mister Hélio é muito ambicioso e isso alimenta-nos. Em cada treino e em cada jogo temos de dar tudo. O nosso treinador tem história, foi campeão do mundo de sub-20 e quer que os jogadores repitam o que ele fez. Não fala sem saber. Fala por experiência", avança. 
Com uma excelente exibição, Mesa, como é carinhosamente tratado na equipa, diz que a sua confiança aumentou ao longo do torneio: "Eu, fora de campo, sou um brincalhão, mas lá dentro sou altamente concentrado - o futebol obriga-me a ser outra pessoa. Até ao jogo da Áustria não estava totalmente satisfeito. Eu quero sempre fazer mais e não estava a mostrar o meu futebol. As coisas não estavam a sair naturalmente. Eu, como dizemos entre nós, no jogo da Áustria, entrei "para comer" e tudo me saiu bem. Fui competitivo e fiz o que queria fazer para ajudar a equipa. Aquele centro em banana para o segundo golo do Zé (José Gomes) foi bom para nós. Depois foi só manter a concentração e a confiança", concretiza.
Encara o desafio das meias-finais como todos os outros da competição: "É sempre o tudo ou nada. Na quarta-feira vai ser a quinta final. E as finais foram feitas para se ganhar. Não vamos passear as chuteiras. Nós estamos a defender o nosso país. Jogamos por Portugal, jogamos por dez milhões. A nossa família está a ver, Portugal está a ver. O que mais queremos é que fiquem orgulhosos", conta.
Muito amigável e generoso nos afetos, o avançado do SL Benfica elogia igualmente o ambiente na Seleção Nacional: "O espirito aqui é muito bom. As pessoas, fora, só falam dos jogadores, mas na Seleção Nacional todos trabalham com competência. Desde o mister Hélio, passando pelo técnico de equipamentos, o cozinheiro ou a equipa médica todos remam para o mesmo lado. Eu adoro este espaço porque se vê que toda a gente trabalha com gosto," elogia.
Natural da Guiné, chegou a Portugal com oito anos e nem ligava muito ao futebol: "O meu sonho era ser médico. Quando cheguei a Portugal jogava mais na rua. Um dia fui treinar ao Real e fui recusado. A partir daí ganhei o bichinho. Comecei no Estrela da Amadora mas tenho de agradecer mesmo é aos meus amigos do Monte de Abrão. Eles eram mais velhos e ganhei muita coragem e agressividade a jogar com eles. Nas primeiras semanas tinha algum medo de jogar contra eles, mas passado umas semanas já me chamavam Estrela que ainda é o nome pelo qual me conhecem no bairro", recorda.
A passagem para o SL Benfica impulsionou a carreira: "Acabei por escolher o Benfica com dez anos. Parece que foi ontem mas já são sete anos. O mister Diogo Teixeira foi o meu primeiro treinador. Ensinou-me que o futebol a sério era diferente da rua. Não era só atacar. Inclusive colocava-me a jogar à defesa. Ele foi um autêntico pai", agradece.
Com os pais e quatro irmãos emigrados em França, quer dedicar à mãe as vitórias no Euro 2016: "A minha mãe sempre me apoiou no futebol. Lembro-me que no torneio da Pontinha marquei o golo da vitória no último minuto. Quando cheguei a casa a minha mãe estava a chorar. E ainda fica mais orgulhosa quando estou na Seleção Nacional. Ela já me disse, aqui no Azerbaijão, que o que interessa é a equipa. Para eu dar o meu melhor pela equipa e não por mim próprio", termina.
Fonte: FpF.PT

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