sexta-feira, 6 de maio de 2016

Um olhar de campeões


No rescaldo do título conquistado, o Mineiro Aljustrelense está de olhos na Taça Distrito e na Supertaça. O treinador Vítor Rodrigues atribui este sucesso à empatia com as pessoas e à invulgar organização do clube.

Texto e foto Firmino Paixão

Começa a ser um talismã para os tricolores. Vítor Rodrigues vai buscar o Mineiro ao distrital e fá-lo campeão. O banco dos tricolores pode não ser a sua “cadeira de sonho”, mas é ele que faz sonhar os adeptos do clube. Sonhar com sucessivas conquistas e jornadas de glória para as gentes da Vila Mineira. Um emblema diferente, um clube onde os jogadores têm um olhar de campeões.


O Vítor Rodrigues a treinar o Mineiro, normalmente, resulta em título. Tem alguma fórmula mágica?Não! Mas é mais fácil quando estamos num clube organizado e as coisas têm corrido bem. Confesso que existe uma empatia na relação entre nós, os adeptos, a direção, os jogadores, e tudo isso tem contribuído para que o sucesso aconteça. Agora, é tudo fruto do grande trabalho de um grande grupo, que não se cinge apenas ao treinador, mas a todo o coletivo em que está assente este grande clube que é o Sport Clube Mineiro Aljustrelense.


É a segunda vez que isto acontece. Já o vimos na época 2013/14, por isso não sucede por acaso…Sim, nós temos alguma cumplicidade, falo muitas vezes nisso, sou de Mértola, mas sinto-me como se tivesse nascido aqui em Aljustrel, porque existe um carinho mútuo e é muito gratificante estar reunido desta gente.


Um percurso vitorioso desde a 14.ª jornada. Falta ganhar em Vidigueira para fechar a época só com vitórias?Tenho dito aos jogadores que já somos campeões, mas o clube merece que continuemos a ser responsáveis. As pessoas deslocam-se para verem sempre um Mineiro ganhador. E nós temos de as respeitar. Foi isso que aconteceu com o Guadiana e é isso que vamos tentar em Vidigueira, para fecharmos este ciclo só com vitórias. É uma equipa muito organizada, um campo difícil, mas nós queremos ganhar.


Já se referiu ao mérito de todo este coletivo, mas em Aljustrel respira-se uma mística de conquista que não se sente em mais lado nenhum…Tenho o privilégio de conhecer a maior parte dos clubes, por estar desde há muito ligado ao futebol e ter amigos em vários emblemas, mas aqui é tudo diferente, as coisas aqui saem com naturalidade. Os problemas superam-se facilmente, os dirigentes andam numa roda-viva e eu confesso que conheço muito clube, mas como o Aljustrelense não conheço nenhum.


A final da Taça Distrito de Beja já está no horizonte?Elegemos claramente esse objetivo a partir do momento em que fomos campeões. Estamos a gerir o plantel em termos físicos e mentais para que no próximo dia 15, na cidade de Beja, possamos estar à altura do clube, à altura da prova e à altura do nosso adversário.


Mas temos ainda a Supertaça, o terceiro dos objetivos que o presidente do clube assumiu em julho do ano passado…Neste distrito ainda ninguém conquistou os três troféus numa só temporada, mas nós iremos por partes. O próximo objetivo será a Taça Distrito de Beja, frente ao Piense, e depois de a conquistarmos, como esperamos, iremos pensar na Supertaça, que será com o mesmo adversário. Será um percurso, etapa a etapa, como temos vindo até aqui.


É inevitável perguntar-lhe se vai permanecer em Aljustrel na próxima temporada?Já falámos! O Campeonato de Portugal é uma prova muito complexa, basta analisarmos o que está a decorrer este ano, com três equipas alentejanas em grandes dificuldades, só o Moura não está, porque o orçamento, porventura, será superior. Todos os elementos que vão fazer parte da equipa terão de estar preparados, o treinador tem de estar preparado, a organização do clube tem de se reforçar e os jogadores terão de ter capacidade para disputar um campeonato a esse nível. Não queremos ir e voltar, se formos todos juntos é para irmos e ficarmos lá, porque é essa a história recente do clube. São essas as alegrias que queremos dar aos baixo alentejanos que muito têm sofrido em termos de futebol, porque vimos os outros unidos contra nós, os algarvios unem-se contra nós e é isso que queremos evitar. Se formos todos juntos temos de ir com força, agora teremos de analisar todos os condimentos deste grande cozinhado, para ver se todos estamos preparados para mais uma vez estarmos à altura.


Qual foi para si o melhor momento do campeonato? Foi o dia em que aqui cheguei. Vinha algo apreensivo, fiz uma análise do que faltava para concluir o campeonato, uma análise ao plantel e tive vários contactos de pessoas de Aljustrel a incentivaram-me. Mas falei com vários amigos que me disseram que não devia voltar a uma casa onde se tinha sido feliz. A equipa estava com um atraso considerável, mas quando aqui cheguei olhei para os jogadores e tive oportunidade de dizer a cada um deles que sentia no seu olhar, e na forma como me receberam, que queriam ser campeões. E nós fomos campeões!

Fonte:  http://da.ambaal.pt

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