Rute Ferreira é uma jovem alentejana nascida há 27 anos em Santiago de Escoural, concelho de Montemor-o-Novo. Jogou futsal, modalidade que abandonou, por lesão, adotando a arbitragem como nova paixão.
Texto e foto Firmino Paixão
É uma das mais recentes opções do conselho regional de arbitragem da Associação de Futebol de Beja para a área do futsal. Não uma promessa, mas uma certeza, tal a experiência que já adquiriu em momentos anteriores e a competência que revela dentro do campo.
Natural de Santiago do Escoural, no distrito de Évora, contou ao “Diário do Alentejo”: “Joguei futebol federado durante nove anos. Representei o Almansor Futebol Clube, de Montemor-o-Novo, e joguei nos Arneiros Futsal, em Lisboa. Abandonei a modalidade por causa de uma lesão num joelho. Era guarda-redes. Então, na sequência desse afastamento da atividade, convidaram-me para fazer um curso de arbitragem e cá ando”.
O seu passado desportivo, confessou, não terá inscritos grandes momentos de glória, mas ficou, pelo menos, o registo de “alguns momentos interessantes, mas títulos não conseguimos, porque o Almansor esteve muito tempo a competir na Associação de Futebol de Santarém, pela inexistência de campeonato no distrito de Évora”.
Regressar à atividade não faz parte dos seus planos: “Não! Não espero regressar, a lesão está resolvida, fui operada ao joelho, mas de momento já não me vejo a largar o apito”, contudo, convites não terão faltado. “Surgiram oportunidades para regressar, mas como a probabilidade de me voltar a lesionar é alguma, decidi que devia resguardar-me a mim própria”. Por esta razão, a arbitragem foi uma boa opção para prosseguir a atividade desportiva: “Tinha uns amigos que estavam a tirar cursos de arbitragem e me incentivaram a inscrever-me num curso de árbitros de futsal organizado pela Associação de Futebol de Lisboa. Sabiam quanto eu adorava a modalidade e que passava o tempo a ver jogos. E assim foi. Inscrevi-me, seria mais uma experiência de vida, e tinha sempre a oportunidade de voltar atrás”.
A sua primeira ligação oficial ao mundo da arbitragem foi como filiada no conselho regional de Lisboa, mas depois, revelou Rute Ferreira, “por razões profissionais vim para o distrito de Beja e pedi a transferência para o conselho regional de Beja. Era uma oportunidade que não queria perder, porque, sendo um hobby, acima de tudo já é uma paixão”.
O seu desejo é a promoção ao escalão nacional e está otimista: “Sim, acho que não estou longe”. A questão são as competências? E será que elas existem? “Bastantes. Tenho tido boas avaliações, se a idade me permitir, mais adiante até poderei chegar à 1.ª categoria nacional, ou tentar a FIFA, tudo dependerá da idade e da agenda nacional, e se tudo correr bem, como é óbvio”.
A ambição, como se vê, é muita, agora importa saber se as oportunidades que o conselho regional de Beja lhe tem dado corresponderam à sua expectativa: “Tem sido excelente. A arbitragem no Alentejo está mais organizada do que em Lisboa, não obstante as equipas serem poucas. As nomeações são feitas com critério e o futsal está bem. Em Lisboa tínhamos três e quatro jogos por fim de semana e alguns tínhamos de os arbitrar sozinhos. Tem sido uma experiência muito positiva, desde as pessoas dos clubes aos dirigentes da associação, todos são super carinhosos. Não tenho uma única razão de queixa de ninguém”.
O outro lado da vida de Rute Ferreira é a profissão de agente da Guarda Nacional Republicana (GNR). Uma opção ou uma solução? “Foi uma opção, sem dúvida, eu já era militar, estava no Exército Português há seis anos. Decidi concorrer para a GNR para continuar a fazer algo que gostava bastante”. Colocada no Posto Territorial de Vila Nova de Milfontes, depois de um primeiro estágio na sede do seu concelho, Rute Ferreira tem em mãos duas formas de autoridade, uma dentro de um campo de jogo, outra junto de uma comunidade. Qual é a posição mais difícil? “São duas formas de poder, mas são coisas completamente distintas. É mais fácil gerir o poder dentro das quatro linhas do que como agente da GNR, porque nesta função temos que ter um bocadinho a cabeça fria. Nos jogos basta falar com os jogadores e as coisas resolvem-se, no outro lado já não é bem assim”. Mas será que a agente, perdão, a árbitra, está a tentar dizer que é “mais fácil expulsar um jogador do que multar um condutor? “Sim! Porque se a infração for clara, não existe qualquer dúvida nem qualquer problema, mas a GNR não serve só para multar, há muito mais para além disso, temos que manter a ordem e, sobretudo, ajudar as pessoas sempre que precisam da nossa presença”, concluiu, com a promessa de se manter na arbitragem distrital, pelo menos enquanto a atividade profissional a deixar ficar entre os limites desta terra alentejana.
Fonte: http://da.ambaal.pt
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