José Saúde
Sob um firmamento onde proliferam cintilantes
celebridades, eis-me a vasculhar o vasto espólio desportivo que
honradamente amontoo no meu arquivo e logo me saltou à estampa
peregrinar pela rota de antigos craques do futebol bejense. Neste
contexto, a minha perspicaz investigação recaiu sobre a essência de
guarda-redes, sobretudo num deles que deixou eternas lembranças: o Zezé.
De nome completo José Eduardo Rosa, um cidadão que nasceu a 11 de
novembro de 1929, dia de São Martinho, em Beja, foi um notável guardião
que bebeu excelentes ensinamentos ministrados por Manuel Trincalhetas,
um dos colossais jogadores do Luso. O “tio” Manel foi indubitavelmente
um distinto goleiro que deixou escola na arte de bem defender os remates
enviusados dos temíveis avançados. Sei, porque tenho sido um insistente
investigador na matéria desportiva, ainda que nesses tempos não fizesse
parte deste universo terrestre, que nos idos de 1940 resplandeceram, em
Beja, espantosos guarda-redes que veementemente se inspiraram no estilo
daquele virtuoso atleta que nos desafios não abdicava de um boné e das
míticas joelheiras. O Zezé surgiu no Pax Júlia, agremiação que se
dedicava exclusivamente à formação. Após a fusão entre o Luso, União e
Pax Júlia, 8 de setembro de 1947, uma aliança que deu origem ao
Desportivo, a agilidade de Zezé na baliza proporcionou-lhe a chamada
para a novel agremiação. A estreia deu-se frente ao Sporting da Covilhã
num jogo para a Taça de Portugal. Depois de grandes exibições que
encheram o olho ao pessoal da bola especializado, o Zezé teve um convite
do Benfica, viajando então para a capital do império. Numa fase de
conhecimento aos cantos da casa, não obstante o seu estatuto de jogador à
experiência, cruzou-se na sede do emblema da Luz, lá para as bandas da
praça dos Restauradores, em Lisboa, com um antigo atleta encarnado de
nome Alcobia que, à época, treinava o Elvas, grémio que militava na
primeira divisão nacional, e conversa puxa conversa, logo surgiu o
convite para rumar à cidade transfronteiriça. Alcobia tratou da
promissora aquisição e lá seguiu a jovem estrela bejense para as hostes
de “O Elvas Clube Alentejano de Desportos”. Após o regresso a Beja,
Zezé voltou ao Desportivo. No livro Glórias do Passado, volume I, está
inserida uma breve história que lhe ficou na memória: “Uma vez no
Montijo estávamos a ganhar por 3-1 e precisávamos vencer o jogo… o
adversário estava a carregar sobre a nossa defesa, entretanto a bola
veio parar-me às mãos, de repente mandei-a para o Marcelino, ele fintou
os defesas, driblou o Redol, guarda-redes, e entrou com a bola pela
baliza e fez o quarto golo”. O treinador era o Telechea, no entanto foi
Feliciano o técnico que lhe deixou saudades. Hoje, o Zezé, à beira dos
88 anos, reside no Centro Paroquial e Social do Salvador de Beja e já
lhe foi amputada uma perna.
Fonte: http://da.ambaal.pt/
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