sexta-feira, 15 de março de 2019

Bola de trapos, edição de 15 de março de 2019 no Diário do Alentejo

José Saúde
Coureles
Numa jornada por terras da Margem Esquerda do Guadiana, paramos em Aldeia Nova de São Bento e revemos um rapazote, década de 1940, que despertou atenção no povoado, tendo em conta o excelente fascínio com o qual tratava a bola. Nesses tempos a paixão pelo futebol proliferava em solo lusitano e a povoação aldenovense seduzia-se pelo fenómeno. A moçada juntava-se em grupos e partia com a trapeira debaixo dos braços rumo a outros bairros para disputar mais um dérbi. Chamamos à “Bola de trapos” de hoje José Lanita Romeiro, nascido a 28 de abril na então Aldeia e conhecido no mundo futebol como Coureles, alcunha que herdou de seu pai. Coureles fazia parte do grupo das “Altas” e cedo a miudagem lhe perspetivou um futuro risonho. Com a fundação do Atlético Clube Aldenovense, designação original, pela mão do capitão Alcino Pires, 20 de agosto de 1947, a jovem promessa iniciou-se em jogos particulares ao lado de Bento Abril, Zé Amaro, Zé Beirão, Carapezinho, Manel Bica, Rodolfo, Manel Beirão, Victorino, Domingos Barradas, Manel Romeiro, Piquinha, Eleutério e Torcato, de entre outros, e logo os seus atributos foram alvo de cobiça. Coureles, com 18 anos, ingressou no FC Serpa a troco de 500 escudos mensais e um emprego nas bombas de gasolina do presidente João Diogo Cano. Mencione-se que João Diogo Cano foi um homem que se entregou de alma e coração ao clube, levando o Serpa a campeão nacional da terceira divisão na época de 1956/1957. A final disputou-se em Coimbra e o adversário foi o Vila Real de Trás-os-Montes, sendo um dos golos apontado por Coureles e outro por Teixeira da Silva. Estava dada a sentença para a carreira de um craque que ostensivamente brilhou na cidade da Covilhã. “Na época de 1957/1958, eu o Picareta e o Garcia ingressámos no Sporting da Covilhã. A equipa tinha subido à primeira divisão nacional e por lá jogavam o Rita, o Cabrita, o Mantegueiro, o Couceiro, o Lourenço, o Hélder, o Lanzinha, o Amílcar, o Suarez, designadamente. O meu contrato foi de 1.200 escudos por mês e 15 contos de luvas. O Serpa recebeu pela minha carta creio que 50 ou 100 contos, não posso precisar, mas os meus 15 nunca os vi”. Coureles era um jogador possante e que trabalhava em prol da equipa, sendo que nas 14 temporadas que representou o Covilhã a maioria foi no escalão supremo do futebol nacional. No capítulo das recordações positivas, o antigo jogador menciona: “Fui campeão nacional pelo FC Serpa, terceira divisão, e pelo Sporting da Covilhã, segunda divisão”. Pela negativa destaca: “Na época de 1964/1965 levávamos seis pontos de avanço a quatro jornadas do final e tudo indicava que a subida à primeira divisão estaria garantida, só que eu contraí uma lesão grave, a equipa ressentiu-se e no último jogo em Braga que precisávamos de empatar, perdemos”. Com 81 risonhas primaveras, Coureles reside em Moscavide e lá vai vivendo de irrefutáveis memórias futebolísticas.
Fonte: Facebook de José saúde.

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