sexta-feira, 10 de maio de 2019

Bola de trapos, edição de 10 de maio de 2019 no Diário do Alentejo

José Saúde
Até logo, Rui Madeira!
O lendário clã Madeira está de luto: morreu o Rui Madeira irmão do Joaquim, Nói, João e Vítor. A família deixa um legado futebolístico que se propagará irreversivelmente no tempo. O pai, Joaquim Costa Madeira, jogou no União de Beja, Sport Lisboa e Beja e no Glória ou Morte, sendo que as suas aprimoradas géneses se propagaram pelos rebentos que trouxe ao mundo. Rui da Graça Madeira contava 70 anos, faria 71 no próximo dia 11 de junho, e partiu deste cosmos terrestre por via de uma fatídica doença que o conduzi-o para a tal viagem sem regresso. O Rui fez parte de uma geração fabulosa que originou fantásticos craques. Integrou, aliás, um conjunto de jovens que nas décadas de 1950 e 1960, século passado, fizeram do Terreirinho das Peças o seu esplêndido “estádio”. A carreira oficial iniciou-a no Despertar Sporting Clube, agremiação que defendeu com garra e onde sempre permaneceu. Na época de 1969/1970 conheci-o, no início dos trabalhos de preparação para a nova temporada, como um fugaz companheiro de balneário no Desportivo, só que essa passagem foi de facto passageira. O regresso ao Despertar confirmar-se-ia e a sua continuidade no emblema despertariano foi um dado certo. Como militar prestou serviço na Marinha e o seu destino levou-o a uma mobilização para a Guiné. Em solo guineense jogou no Sporting de Bissau, deixando aí vincado a sua admirável classe. Após a desmobilização militar rumou a Angola onde jogou no Benfica de Luanda. No ano de 1975 ei-lo em Sines envergando a camisola do Vasco da Gama. O irmão Nói Madeira era o treinador e persuadiu-o em rubricar contrato com a coletividade que nesses tempos militou na segunda divisão nacional. Transitou depois pelo União de Santiago do Cacém e Grandolense, designadamente. Nos dois convívios feitos na velha Pax Júlia que reuniu um colossal grupo de antigos jogadores de futebol de Beja, o primeiro em 2014 e o segundo em 2018, o Rui marcou sempre presença. Telefonava-lhe e ele respondia-me de pronto com um singelo “sim”, confirmando de imediato a sua presença. Dizia-me que “não tinha transporte”, mas de pronto lhe prometia que a situação seria ultrapassada. Expunha a questão ao nosso amigo comum Nói Alves e este, simpaticamente, respondia-me: “Zé, não te preocupes, o Rui vai comigo”. E assim acontecia. Confesso que no último encontro reparei que a sua fragilidade física era assustadora, porém acreditei que a maldita doença lhe desse ainda algumas tréguas. Mas, assim não sucedeu. Morreu no pretérito 2 de maio sendo que o corpo foi sepultado, dia 3, na campa onde se encontram os restos mortais dos pais no cemitério de Beja. Amigos e antigos companheiros do tempo da bola esperavam o seu corpo e silenciosamente acompanharam-no até à sua última morada. Até logo, Rui Madeira!
Fonte: Facebook de Jose saude.

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