sábado, 23 de outubro de 2021

Bola de trapos, edição de 22/10/2021 no Diário do Alentejo

 

José Saúde
Zona Azul
A diáspora do tempo remete-nos para a real exemplaridade de coletividades que atempadamente trouxeram novos ventos ao mundo e que, desde logo, incutiram aos amantes desportivos específicas modalidades que com o evoluir das eras o povo muito agradeceu. Viviam-se momentos de liberdade com a Revolução dos Cravos, 25 de Abril de 1974, e a plebe delirava com a arte de circunstâncias que ao longo da vivência do Estado Novo lhe haviam sido extorquidas. O desporto, na sua verdadeira essência e no seu espírito global, praticava-se nos estabelecimentos de ensino, sendo que o movimento associativo, na altura, era, de facto, restritivo. Seguia-se de fio a pavio a ausência de permissão para aqueles que porventura ousassem quebrar a execranda tradição, não obstante havia gente, astuta, que conseguia furar os protocolos, sendo por vezes perseguido pelos agentes do Estado. Logo, poucas coletividades exerciam a sua verídica exposição no que concerne, em concreto, a modalidades ditas amadoras, ou seja, aquelas que iam para além do futebol. Porém, a 9 de outubro de 1975, e com o população a respirar avidamente liberdade, eis que Jerónimo Duro, Manuel Serrano, Joaquim Alves dos Santos, António Vitória, Joaquim Cavaco, Francisco Fresco, João Mimoso, José Carlos Augusto, António Costa e José Manuel, deram corpo à fundação da Associação Cultural e Recreativa Zona Azul (ACRZA). Imiscuído nesse argumento de associativismo, agora livre, nascia uma nova agremiação em Beja e que cedo se dimensionou no tempo, cristalizando atletas em diversas disciplinas desportivas. Conheço a sua realidade e toda a sua envolvência. Aliás, a empatia registada na área da gestão dos meios é e será sempre intocável, opino. Insiste-se, e com razão, enaltecer a ACRZA como uma coletividade onde predomina a conceção de como se gere um clube em toda a linha. Com um património de certo modo valioso (sede e campo de ténis, sendo este declarado por escritura que contempla 50 anos de exploração) construído por mestres de uma excelente escola de dirigentes que fizeram história no conturbado mundo de ilustres mentores, o clube das Alcaçarias, como ousa ouvir chamar-lhe na velha Pax Júlia, embora eu próprio não partilhe dessa ideia, pois vejo o grémio como um dos emblemáticos símbolos desportivos da cidade e hoje ostenta uma bandeira que reflete trabalho intenso ao longo de cada época desportiva. Atualmente, a Zona Azul conta nas suas fileiras com as modalidades de andebol, onde a sua proficiente ação nesta circunstância é merecedora de rasgados elogios, assim como de justos aplausos, de atividades gímnicas e de natação. No capítulo de técnicos que orientam o desenvolvimento das modalidades atrás referidas, a Zona Azul, situada na Rua Frei Manuel do Cenáculo, 17, em Beja, conta com 12 especialistas que dirigem cerca de 400 atletas. De resto, a sua sede continua com atividade, permanece viva e o bar continua a servir os associados e não só.

Fonte: Facebook de JOse Saude

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