O Beja Basket Clube atravessa um período de transição, em que a maior aposta é o rejuvenescimento da equipa sénior, independentemente dos resultados desportivos.
Texto e foto Firmino Paixão
Luís Caramba é o novo presidente do Beja Basket Clube, sucedendo a João Vilhena, que renunciou por motivos de ordem profissional. O novo líder do clube, também treinador da equipa principal, assume a continuidade de um projeto sustentado no trabalho de formação de jovens praticantes e nos princípios que deram origem ao clube. O seu maior desencanto é a escassez de miúdos para engrandecerem o projeto e fortalecerem o futuro da modalidade na região.
Um novo líder e um tempo novo para o Beja Basket Clube?
Não necessariamente, as ideias mantêm-se, o projeto estava a ser consolidado sobre uma base de formação e, este ano, por força, não só da idade, mas da vida e dos compromissos das pessoas, fomos forçados a intensificar aquele passo que já vínhamos a dar, embora o estivéssemos a fazer um pouco lentamente.
A que passo se refere, concretamente?
Este ano, em termos de seniores, a equipa é constituída, em cerca de oitenta por cento, por atletas vindos da nossa formação. São jogadores muito jovens, alguns estão a estudar fora da região, mas não quiseram deixar o clube, nem permitir que se perdesse esta modalidade no escalão de seniores na cidade de Beja. Temos uma equipa, essencialmente, baseada na formação, com dois ou três mais velhos, para darem alguma estabilidade ao conjunto.
Uma filosofia que abre um novo ciclo?
Sim, é um novo ciclo que estamos agora a trabalhar, ainda não o tínhamos feito com toda esta força, com tão grande percentagem de jovens, mas estamos satisfeitos com a resposta que eles estão a dar, são jovens que nunca tinham jogado juntos. E eu, para além de não conhecer os adversários que temos para defrontar, também não conheço muito bem a minha equipa. Conheço os atletas individualmente mas, enquanto coletivo, ainda estamos num processo de conhecimento mútuo.
Esperam fazer um bom campeonato?
Vamos fazer um campeonato na medida do possível, não será um bom campeonato, porque estamos habituados a outro tipo de classificações que, este ano, não podemos ter como meta. O objetivo é consolidar esta equipa para, no futuro, podermos regressar aos níveis competitivos a que estávamos habituados. Temos que formar a equipa, não pensamos em mais nada.
Mas é esta equipa que dá visibilidade ao vosso projeto?
Não entendemos assim. Tanto os seniores como os Sub/16, e temos muitos miúdos a praticar neste escalão, são eles próprios que promovem a modalidade e o clube, porque chamam muitos colegas para o basquetebol. Nunca pensámos que a equipa sénior pudesse ser o foco das atenções, porque o nosso projeto baseia-‑se na formação, e aí sim, queremos estar focalizados.
Uma eventual qualificação para a segunda fase da prova não está no horizonte?
No estado em que está o basquetebol, uma segunda fase, pela qual nós anteriormente lutávamos muito para nos qualificarmos e onde existia sempre muita competição, mas hoje em dia, não. Essa competição está desvirtuada. Quem tiver dinheiro vai, quem não tiver fica por aqui. As realidades são diferentes. Quem tiver poder financeiro vai em frente, quem não tiver não vai. Na época passada não pudemos lá ir, e tínhamos equipa para isso, para não hipotecarmos o futuro do clube, porque não tínhamos meios financeiros.
Mas o projeto do BBC está consolidado?
Sim, o nosso projeto está bem sustentado, estamos com cerca de 40 atletas, já foram mais, mas já não temos equipa feminina, com alguma pena nossa, e temos um boa formação nos escalões de Sub/14, Sub/16, temos mini basket e precisamos de muitos atletas para este escalão, porque, este ano, estamos um pouco mais fracos, mas é aqui, no mini basket, que queremos fazer a maior aposta.
O que está a mudar com a presidência do Luís Caramba?
Nós formávamos uma equipa que se desmantelou um pouco, porque o nosso antigo presidente teve que se ausentar por razões profissionais. Mas as ideias são as mesmas, os restantes elementos são praticamente os mesmos e as raízes do projeto mantêm-se. Queremos que a modalidade evolua, tudo o que fizermos será na base da formação e das ideias que estiveram na razão da fundação do Beja Basket Clube.
As dificuldades são maiores que os apoios, ou nem por isso?
Naturalmente que as dificuldades são grandes, mas, ao contrário das outras modalidades, nós queixamo- ‑nos de termos poucos atletas. Essa é a nossa maior queixa, precisamos de atletas e de dois cestos, mais nada. Mesmo com poucas condições, mas com muitos atletas, nós conseguiremos pô-los a jogar, e isso é que nos importa e é fundamental. Os pais dos nossos miúdos fazem um esforço enorme para nos ajudar, por isso, mesmo que as entidades não nos apoiem, desde que tenhamos miúdos manteremos o basquetebol nesta cidade.
Fonte: http://da.ambaal.pt
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