sexta-feira, 23 de novembro de 2012

Casa do Benfica de castro lidera o distrital de futebol feminino: Elas sabem jogar “à Benfica”



Apesar do empate em casa na última jornada, frente ao Odemirense, a formação da Casa do Benfica de castro Verde mantém-se isolada no comando do Campeonato Distrital de Seniores Femininos.

Texto e foto Firmino Paixão

Três vitórias, um empate e o maior número de golos marcados são credenciais que mantém a equipa liderada por Gonçalo Nunes, 32 anos, na corrida por um título que na época passada, por pouco, lhe fugiu. O jovem treinador fala da realidade da sua equipa e deixa uma análise muito lúcida sobre o futebol feminino do distrito de Beja, pondo em evidência a carolice e a entrega de quem lidera estes projetos.

A equipa está a jogar verdadeiramente “à Benfica”?
É um facto. O empate em casa com o Odemirense nunca será um resultado negativo, face às circunstâncias do jogo. A equipa de Odemira é complicada e tem uma posse de bola brilhante. Ficámos com uma atleta a menos, sinceramente, devido a um erro do árbitro da partida, não há explicação expulsar uma jogadora que acabou por fazer uma entorse grave. A partir daí desvirtuou o jogo, porque a Carolina Silva lesionou-se, ele não mandou parar o jogo, erradamente, e o lance acabou em golo.

Uma expulsão e duas lesões limitarão as opções para os próximos jogos?
Torna-se complicado, temos um plantel com 16 jogadoras, mas muitas estão a estudar, outras a trabalhar e nos treinos já é muito difícil fazer alguma coisa com cabeça, tronco e membros. São limitações que nos podem trazer contrariedades, mas vamos ter uma semana de paragem, pode ser a nossa sorte, mas causa mossa. A Carona, que é jogadora da seleção sub/17, uma jogadora com muito potencial, também fez uma entorse gravíssima num pé, ambas fazem muita falta à equipa.

O que mudou desde a última temporada que tornou esta equipa mais competitiva?
A equipa no ano passado praticou um futebol muito bom. O que se notava talvez era uma excessiva meninice, que, este ano, deixámos de ter porque houve uma evolução natural. O plantel manteve-se praticamente igual, entrou a Ana Rita Batista, a melhor marcadora do campeonato da época passada, dá-nos muita força, mas não foi por aí que a equipa se alterou. Praticamos a mesma qualidade de futebol, temos a mesma estrutura, talvez estejamos pior quanto à disponibilidade das atletas, tendo em conta o meio escolar da maioria delas, muito pontualmente fizemos alguns acertos, mas não mudámos muito.

Venceram a supertaça da época passada, quebrando a hegemonia do Aljustrelense. Eram já sinais de que esta época seria bem-sucedida?
Durante a época demos sinais de que podíamos também ter ganho o campeonato, mas havia muita ingenuidade na nossa equipa. Saber jogar futebol, ter bom toque de bola e saber posicionar-se no campo não prevaleceu sobre a maior maturidade que a equipa do Mineiro tinha. Batemo-nos taco a taco pelo campeonato, perdemos a taça no último jogo, por um golo e em inferioridade numérica. Agora, este ano, evoluímos, e essa evolução tem a ver com o número de treinos que vão tendo nas perdas, obviamente que só têm que evoluir.

A desistência do Mineiro permitiu que outros projetos emergissem com mais fulgor?
Tenho pena do projeto do Mineiro ter ido abaixo, como tenho pena do Amarelejense, que tem uma equipa a treinar ainda hoje e não sei porque motivo, à última hora, não participou no campeonato. O futebol feminino vem sendo potenciado para cada vez ter mais praticantes e adeptos. O Mineiro foi um caso paradigmático, uma equipa campeã, com uma boa estrutura e que desaparece de um momento para o outro. Vários clubes aproveitaram as suas jogadoras, nós temos uma, o Odemirense ficou com três belíssimas jogadoras e o Vasco da Gama mais três.

Que objetivo persegue a Casa do Benfica de castro Verde?
Queremos ganhar jogo a jogo. Temos um plantel curto, não em número, mas em termos de trabalho no dia a dia, e isso prejudica-nos imenso, não podemos pensar que o campeonato é fácil. O Odemirense tem uma equipa excelente, o Vasco da Gama está a surpreender-me pelos resultados, porque jogam muito bem, o Almansor tem uma equipa muito complicada para ultrapassar, o Ourique está muito melhor do que no ano passado. Temos um leque de seis equipas capazes de vencer o campeonato. Nós precisamos de nos concentrarmos nas estratégias para vencermos sempre o próximo jogo. No final logo se verá como fica a classificação.

Na Taça Distrito de Beja (dia 24) o primeiro adversário será o Serpa...
Entramos sempre em campo com humildade, mas para ganhar. O Serpa tem uma estrutura muito bem montada, jogam juntas há três épocas, a equipa é praticamente a mesma, sabem jogar à bola, vão criar-nos muitas dificuldades, mas será um jogo em que vamos tentar ganhar, se não for no tempo regulamentar, terá que ser nas grandes penalidades.

Fonte:  http://da.ambaal.pt

Sem comentários:

Enviar um comentário