sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

Sou o meu maior adversário”


O atleta João Pedro Cruz nasceu na Salvada, freguesia rural do concelho de Beja, no dia de Natal de 1985. Coincidência ou não, um sinal que tem abrilhantado a carreira deste atleta do Beja Atlético Clube.

Texto e foto Firmino Paixão

O ano de 2012 terá sido a época da sua maior visibilidade, com um triunfo na Corrida do Avante, na época seguinte a vitória na Corrida da Lagoa de Santo André e um lugar entre o top 20 dos atletas portugueses na Meia-Maratona de Lisboa. Nesta época conquistou três títulos distritais e sagrou-             ‑se campeão do Alentejo de corta-‑mato, mas tem os olhos postos na Maratona de 2014. Militar da equipa do Corpo de Intervenção da Guarda Nacional Republicana, João Cruz esteve recentemente nos campeonatos nacionais militares onde se sagrou campeão nacional por equipas. Vamos conhecê-lo melhor.


Quando se iniciou no atletismo e porque escolheu o Beja Atlético Clube (BAC)?
Iniciei-me há cerca de cinco anos, de uma forma muito amadora, mas depois comecei a treinar com maior regularidade. Sempre pratiquei desporto, nomeadamente futebol, e apenas por lazer, mas depois de ter acabado a vida militar dediquei-me mais a sério ao atletismo. Trabalhei no Hospital de Beja, onde conheci o treinador António Casaca e como ele estava ligado ao BAC apresentou-me o Carlos André, presidente do clube, e aí surgiu o convite para representar o clube.

Revelou-se na época de 2012 ganhando a Corrida do Avante…
Na verdade ganhei o escalão de seniores da Corrida do Avante mas, nesse ano, uma das provas que me marcou foi a Meia-Maratona de Lisboa, onde fiquei entre os primeiros 50 atletas e fui o 19.º melhor português. Foi um bom registo, mas quero melhorá-lo, o meu objetivo é baixar de 1.10h, estou já a preparar-me, ainda tenho um mês até à próxima meia-‑maratona. Entretanto, também consegui o título de campeão do Alentejo de corta-mato, foi muito difícil, mas foi uma vitória muito importante.

No ano seguinte venceu a Corrida da Lagoa de Santo André e assegurou muitos lugares no pódio de outras corridas...
Tive alguns pódios durante o ano, nomeadamente na Corrida da Água em Lisboa (3.º), na Corrida do Aeroporto também estive no pódio. Consegui muitos segundos e terceiros lugares, fruto da forma intensa como tenho vindo a trabalhar.

Esta época já conquistou os títulos distritais de estrada e corta-mato. Nesta altura já é o melhor fundista do distrito de Beja?
Este ano tem corrido de uma forma fantástica, mas vou começar a trabalhar agora outro tipo de provas, porque acaba a época de corta-mato e tenho como objetivo estar presente nos campeonatos nacionais desta disciplina, que se realizam em Pombal. Melhor fundista, não direi, porque existem outros atletas com grande valor que trabalham tanto como, não me considero o melhor porque estou sempre a aprender com eles.

Os seus principais adversários estão no mesmo clube, o Celso Graciano e Mussa Djau, entre outros?
Trabalhamos em conjunto mas somos atletas com características diferentes, eu sou atleta de fundo e eles têm características de pista, mas formamos uma boa equipa. Sem tirar o valor e o mérito às outras equipas, penso que o Beja Atlético Clube está muito forte. Somos muitos unidos, existe um grande espírito de grupo no clube.

Entretanto, tem participado nos campeonatos militares …
Há três anos que participo nos campeonatos das Forças Armadas, são provas diferentes, no passado apuravam os melhores para os campeonatos do mundo das Forças Armadas. Entretanto, face às dificuldades económicas, essas provas foram canceladas. Todos os anos temos ganho por equipas, e este ano, mais uma vez, confirmámos o título. Fiquei contente com a minha prestação, fiquei em 7.º na geral e fui o 2.º na minha equipa.

Que objetivo persegue no atletismo?
Sou um jovem na modalidade e estou sempre a aprender. O meu objetivo imediato é melhorar a marca na meia-maratona e fixar-me entre os 50 melhores atletas nacionais. Quem sabe se um dia conseguirei vestir a camisola da seleção. Quero acreditar que sim, pelo menos, trabalho para isso.

Trabalha-se bem no atletismo regional?
É um desporto onde tem que se aprender a sofrer, tem que se gostar muito da modalidade. Têm surgido poucos jovens, mas penso que estamos no bom caminho. Mussa Djau, no BAC, e Ana Dias, em Odemira, são duas grandes promessas que se podem afirmar a nível nacional.

O que lhe proporciona o atletismo além do bem-estar físico e da notoriedade?
A união e a camaradagem que existe entre todos os que praticam a modalidade. É um sentimento diferente, somos, praticamente, uma família. A notoriedade vem por acréscimo, mas o que me faz mover no atletismo é o prazer de correr e o meu principal adversário sou eu mesmo, porque todos os dias tenho que me superar nos treinos para ter sucesso nas p
rovas.
Fonte:  http://da.ambaal.pt

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