No regresso da Sérvia, e com o título mundial na ponta do anzol, a jovem pescadora mourense Joana Ramalho partilhou connosco as emoções de uma aventura de sucesso: a bandeira, o hino e uma lágrima fortuita.
Texto e foto Firmino Paixão
“Foi um sentimento fantástico, algo que nem consigo explicar, ver a nossa bandeira subir até ao mastro mais alto, conseguir que o hino seja ouvido por nossa causa, é algo único”. Foi assim que a pescadora do Clube Mourense de Pesca e Caça Desportiva descreveu a sua subida ao pódio para receber a medalha de ouro do título mundial na categoria juniores. E com simplicidade acrescentou: “Sinto-me orgulhosa de mim e de todos aqueles que tanto têm trabalhado ao longo dos anos para que este título fosse finalmente possível, e no final há sempre uma lágrima, um sentimento de dever cumprido”.
O título não tem dedicatória especial, porque Joana considera que “o êxito é das três seleções portuguesas presentes e de todos aqueles que ajudaram num papel mais secundário”. E a jovem pescadora justifica: “Estou muito orgulhosa de todos, demos o nosso melhor. A equipa técnica que estava por trás de nós fez um trabalho excelente, houve uma comunicação incrível. Atletas, treinadores, pais, foi excelente mesmo, e todos contribuíram para o título. Fomos uma verdadeira família, saí da Sérvia e deste mundial com amigos para a vida, e nunca vou conseguir demonstrar-lhes o quanto lhes estou agradecida. São os meus meninos!”.
Quanto ao campeonato propriamente dito, uma captura de 48 espécies, 12,127 quilogramas de pescado, números para memória futura, com duas volumosas carpas a carregarem na balança do título. No início a ansiedade superava a confiança.“Os treinos não me correram bem, sentia que os meus colegas estavam melhor preparados do que eu, que tinham percebido a pesca melhor do que eu. No primeiro dia, quando recebi a notícia de ter feito segundo, nem queria acreditar”. Mas este é também um título que premeia o trabalho feito pelo Clube Mourense. “Naturalmente que sim”, concordou.
“Um trabalho na formação iniciado em 1997. Muitos foram os jovens que já passaram pela nossa escola de pesca e participaram em competições regionais e nacionais. Por outro lado, a formação tem permitido que os agora já atletas seniores representem o Clube Mourense nos vários campeonatos nacionais, desde o Interassociativo até à 1.ª Divisão Nacional. Por tudo isto, parece-me que o trabalho realizado no clube tem dado os seus frutos”. Ao lado de Joana, na Sérvia, esteve o pai, António Combadão, seu treinador e dirigente do clube. “Nos campeonatos do mundo o pai é mesmo pai, ele é apenas treinador a nível nacional, mas é também aquele que mais me apoia, nem conseguiria chegar onde cheguei sem ele. É um treinador a tempo inteiro, mas o papel de treinador nunca ultrapassa o papel de pai, portanto poderia considerá-lo um ‘painador’”. Por isso, o apoio e o carinho nunca faltaram à atleta e na hora de festejar as emoções foram fortes. “Os meus pais sempre me acompanharam, são aqueles que mais apoiam, sem eles não era nada possível, são eles que me dão tudo o que tenho. Sacrificam a sua vida para me poderem levar à pesca, a ganhar ou a perder, são os únicos que estão sempre lá, e só lhes tenho a agradecer por tudo o que têm feito por mim”. Nem mais Joana! E foram muitas as felicitações recebidas, mas a atleta destaca uma”: “Sensibilizou--me o nosso capitão de U18, João Pechincha, que no seu primeiro mundial como treinador conseguiu levar alguém ao mais alto posto, não há palavras para descrever o que sentimos quando a pessoa que está mais acima de nós chora por nossa causa, chora por ter orgulho em nós. Foi, sem dúvida, a felicitação que me fez ter mais noção que era mesmo verdade e que o título era nosso”.
Também a Câmara de Moura sublinhou o apreço pela conquista da sua atleta e Joana comentou: “É sempre bom sermos reconhecidos pela nossa cidade, não esquecemos de onde viemos, nem aqueles que, mesmo com pouco, nos tentam apoiar ao máximo. É bom saber que temos pessoas orgulhosas de nós”.
E agora Joana? Mais ambição e mais títulos? “Agora é continuar a trabalhar, subo para o escalão de esperanças U23, muito mais trabalhoso, mas sempre com o mesmo objetivo: fazer o melhor e tentar alcançar os lugares cimeiros, não podemos ganhar sempre, e é isso que a pesca tem de tão interessante, podemos ser os melhores, mas basta falhar uma coisinha mínima e isso já não nos deixa ganhar”.
Um exemplo de uma jovem estudante da Escola Secundária de Moura, no curso de Ciências e Tecnologias, que gostava de se licenciar em fisioterapia. Aprecia todos os desportos e, embora a pesca não lhe liberte muito tempo, confessa: “Sempre que posso gosto de ir ver o nosso grande MAC (Moura Atlético Clube)”.
Fonte: http://da.ambaal.pt/
Sem comentários:
Enviar um comentário