sexta-feira, 17 de junho de 2016

Os recursos mais valiosos


O III Torneio de Futebol Infantil Cidade de Beja – Beja Cup 2016, organizado pelo Clube Desportivo de Beja, assinalou o centenário do clube e antecedeu o jogo de veteranos com o Sport Lisboa e Benfica.

Texto e fotos Firmino Paixão


Cerca de 450 jovens futebolistas, em representação de 12 clubes, disputaram o Beja Cup 2016 – Torneio de Futebol Infantil Cidade de Beja, uma organização que o Clube Desportivo de Beja incluiu nas comemorações do seu centenário, assinalado oficialmente, no dia de ontem, com uma gala no Pax Julia Teatro Municipal. Até aqui a festa tem sido dos mais jovens, afinal os recursos mais valiosos do clube, e dos mais veteranos, aqueles que são a memória viva de tempos e sucessos passados. Os primeiros encerraram a temporada com vivências diferentes, proporcionadas pelo Beja Cup 2016; os outros, com oportunidade de defrontarem duas equipas de velhas glórias, primeiro do Sporting e agora do Benfica.
O Torneio de Futebol Infantil foi avaliado, pelo dirigente Rui Carraça, como “dois dias intensos, com cerca de 450 atletas e dirigentes que aqui estiveram presentes, depois todos os pais e acompanhantes, foi um evento que envolveu muita gente. Naturalmente, teremos que lembrar os apoios que nos permitiram que o torneio desse um salto muito qualitativo”. Rui Carraça destacou depois “a ajuda da União de Freguesias de Santiago Maior e São João Batista, que ofereceu as refeições, o que deu logo ao torneio uma imagem diferente”. Em termos de competitividade, realçou: “Conseguimos proporcionar uma competição diferente daquilo a que os nossos atletas estão habituados. Dou como exemplo equipas que aqui estiveram e que fazem 60 jogos por ano, enquanto nós nem fazemos 30. Foi também uma forma muito interessante de concluirmos a época e os miúdos acolhem isso com muito entusiasmo”.
O torneio vai ganhando qualidade e aumentando a diversidade geográfica das equipas porque “o grande objetivo é trazermos boas equipas e este ano conseguimos um leque diversificado que deu para que os miúdos tivessem novas e importantes experiências”. Um dia destes o Beja Cup abrir-se-á aos nossos vizinhos espanhóis e passará a internacional. “Talvez aconteça no futuro”, assumiu Rui Carraça, “embora me pareça que a vinda de equipas espanholas não significará um acréscimo de qualidade, temos competido com algumas equipas do país vizinho e isso não nos tem acrescentado mais valor”. No entanto, acrescentou: “Foi muito importante termos recebido aqui equipas como o Portimonense e a Casa do Benfica de Tavira, que nos permitiram fazer uma comparação entre a nossa formação e aquilo que os outros fazem, porque não temos muitos clubes a apostar bem na formação, e isso reflete-se quando as nossas seleções participam com as de outros distritos, os resultados acabam por não ser os que desejamos”.
O clube não vive momentos de prosperidade, mas em tempo de centenário houve, pelo menos, este elo entre o passado, o presente e o futuro. O dirigente comentou que “o passado foi uma realidade, o presente está assegurado, o futuro é que ainda está incerto”, justificando a sua apreensão: “Quem conhece aquilo que é hoje o Desportivo de Beja tem de ter noção da realidade. E a realidade é esta: o Clube Desportivo de Beja sobrevive com um grupo de pais que têm cá os filhos a praticar futebol, mas quando os miúdos saírem, muito dificilmente se manterão cá”. Então, deixou o aviso: “Quem gosta do clube e acha que ele merece muito mais, e é verdade que merece, tem de ficar alerta e tentar perceber que o clube não pode estar alicerçado apenas num grupo de pais”. “O futuro pertence às pessoas que gostam do clube e que acham que ele merece mais”, preconizou, lembrando que “nós fizemos recentemente uma assembleia-geral e estavam lá 10 pessoas, eram oito elementos da comissão administrativa e dois sócios”. Antes de concluir, o dirigente anunciou que o clube competirá no próximo Mundialito, em Vila Real de Santo António, revelando que “foi um grupo de pais que angariou cerca de 4 000 euros para os miúdos participarem”. “São grandes torneios, onde os miúdos podem evoluir e devia existir um apoio diferente das entidades”, rematou. 

Fonte: http://da.ambaal.pt

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